sexta-feira, 3 de dezembro de 2010


Foi como se tudo estivesse parado, como se as coisas não exitissem mais e só os barulhos estranhos estivessem presente naquele momento. Foi como se cada coisa não tivesse mais sentido. Só conseguia ver os passárinhos em um céu perfeitamente azul em um jardim insignificativamente bonito. É sem razão alguma eu acordei e vi que toda aquela perfeição era apenas um sonho, tão real mais ao mesmo tempo tão surreal. E foi exatamente assim que as coisas aconteceram e se tudo voltar a ser como já foi um dia, será exatamente assim que tudo voltará a existir: um nada e sem sentido algum para mim.

Pode paracer a coisa mais insensível no mundo, mais hoje ter visto aquele animal morrer, não conseguiu que eu tivesse nenhuma reação sobre tal situação. Ver aquele animal agonizando e as pessoas em volta simplesmente observando, só esperando aquele ser dar o seu último suspiro para chegar e jogar aquele pequeno cadaver no lixo, me pareceu tão natural - Estranho né? sem sentimentos pode-se dizer, mas isso é tão normal. - Hoje as pessoas chegam ao ponto de dar risadas em situações dolorosas, em situações que se deve respeitar, que se deve simplesmente derrarmar uma lágrima. Foda-se se é um animal, ele pode ter um valor inesplicável para alguém. Foda-se se for uma pessoa também? E se for um parente seu? Ou melhor, SEU FILHO? Seria difícil. Hoje a ingratidão das pessoas é algo tão triste de se ver, tão sem coração de perceber, como me dói saber que sem querer, estou ficando igual aqueles que um dia eu torci não ser.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Existem...


Existem coisas que você apenas não consegue não falar. Algumas coisas nós não queremos ouvir, e outras coisas que falamos por não conseguirmos mais nos silenciar. Algumas coisas são mais do que você diz, elas são o que você faz. Algumas coisas você diz porque não tem outra escolha. Algumas coisas você guarda só pra si. E, não muito frequentemente, mas de vez em quando, algumas coisas simplesmente falam por elas mesmas.

Calma, vai passar...


Olhe, não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai agüentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. (Fernando Pessoa escreveu, num momento parecido, "hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu"). Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai agüentar, mas agüenta: as dores da vida. Pense assim: agora tá insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás. (...)

O tempo.


Na hora da saudade, da tristeza, do desamparo, é com ele que contamos: o tempo. Queremos dormir e acordar dez anos depois curados daquela idéia fixa que se instalou no peito, aquela obsessão por alguém que já partiu de nossas vidas. No entanto, tudo o que nos invadiu com intensidade, tudo o que foi realmente verdadeiro e vivenciado profundamente não passa. Fica. Acomoda-se dentro da gente e de vez em quando cutuca, se mexe, nos faz lembrar da sua existência. O grande segredo é não se estressar com este inquilino incômodo, deixá-lo em paz no quartinho dos fundos e abrir espaço na casa para outros acontecimentos.

(Martha Medeiros)